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14/06/2008
Os Dragões não conhecem o paraíso

Hoje acordei com Caio (Fernando Abreu) e com todos os seus Dragões - aqueles que não conheceram o paraíso: "Dragões não existem. Como escritores, músicos, pintores, filosófos, ou todas essas pessoas que - loucas - querem sentir num mundo em que é ridículo sentir. Você tem é que ganhar, conquistar poder e glória. Os dragões desprezam esse paraíso. tem asas, querem voar. Como os anjos."
Quem define o indefinivl é o próprio Caio, em Crônioca d' O Estado de S.Paulo, no dia 25 de março de 1988. E como para ver o Dragão que reside em você, o eu se vê no outro - na minha me culpa (que já superei) palimpsetuosa, cito dessa crônica sensações semelhantes de dragões:

"Daí vou sentar e autografar. Com aquela mesma paranóia de Lygia Fagundes Telles: ela sempre imagina que, em dia de lançameno, vai ficar plantada numa ma durante horas, completamente só, feito Godot à espera de um leitor que nunca chega. Como não sou in-te-te-lec-tu-al, o lançamento não será numa livria, Mas no Ritz, aquele bar com ar inglês, ali na alameda Franca (quase esquina com Augusta), a partir das cinco da tarde de amnhã, sábado, dia 26. O Wagner Serra promete tocar blues, rocks, funks, bossa-nova, vai ter bebidinha e tudo. tenhpo medo, esntão estou te convidando para dar uma força. Se você não aparecer, vou ter certeza absoluta que não existo mesmo. e aí não sei como é que fica. vai lá? jura? Então tá, tô esperando."

Ah s eCaio soubesse como seu Dragões mepovoam, como seus dragõe sdefine essse anos 80, esse anos 90 e esse anos todos que também residem em mim. Dragões que são a própria escrita.

E por Falar em Dragões, minhas alunas da disciplina "Narrativas dos Anos 80", do curso de Letras da UFSJ, fizeram bonito na apresentação do seminário sobre Caio Fernado Abreu.

Que fiquem os Dragões, que passem os Dragões.



:: Escrito por Betto Silveira às 10:09:39 ::
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30/05/2008
Lançamentos
Daqui a pouco postagens sobre o Lançamento em São JOão del-rei e em Belo Horizonte.


:: Escrito por Beto às 11:53:39 ::
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25/05/2008
A flor da pele (ou da escrita)

Após duas semanas de lançamento do livro sobre Renato Russo e Cazuza, o que se tem falado sobre o livro tem me deixado muito feliz. Tanto o público leigo quanto o público acadêmico têm elogiado bastante a escrita, o conteúdo e o autor. (Fico corado assim!!!)
Com mais um  lançamento se aproximando (quinta feira, dia 29/05/08), em São João del-Rei, fico à flor da pele (e da escrita). Sei que minha escrita aqui deveria te pelo menos parte do lirismo de Renato, ou as metáforas do corpo de Cazuza. Fico apenas na superfície, na ausência de sinestesia e metáforas. E declaro, exageradamente: estou muito feliz.

"Ando tão à flor da pele que qualquer beijo de novela me faz chorar". E por falar nisso, a reportagem da gazeta de São João del-Rei, escrita (muito bem) pela Magali, me deixou contente. Magali, uma sobrevivente daquela geração (80) soube falar pelo olhar de quem viveu a travessia, e soube apresentar o livro para um público bem diversificado, que não necessariamente viveu aquela época.

Outros lançamentos, em Belo Horizonte, e depois no Rio de Janeiro virão.

Deixo um forte abraço a todos.



:: Escrito por Beto Silveira às 22:43:08 ::
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23/05/2008
Convite

Renato Russo e Cazuza foram dois grandes homens de seu tempo e que respondem por todos aqueles que compartilham a travessia dos anos 80, deixando para nós sobreviventes a tentativa de entendimento de suas obras poético-musicais.

Pela primeira vez, em um mesmo livro esses dois ícones da década de 80 são aproximados e lidos sob o mesmo viés da crítica cultural. Pelo olhar que aproxima metáfora e poesia, Renato e Cazuza, com todo lirismo e subjetividade assinalam, na escrita autobiográfica, todos os anseios dos viventes dos anos pós-ditadura.

Mais que um estudo crítico, o Livro Renato Russo e Cazuza: a poética da travessia – rock e poesia nos anos 80, é uma homenagem, a consagração dos dois poetas pela crítica universitária, que entrega, agora, ao público em geral, uma peculiar leitura dos dois principais sobreviventes da travessia dos 80.

A Malta Editores tem a honra de convidar você para o lançamento do livro Renato Russo e Cazuza: a poética da travessia – rock e poesia nos anos 80.



:: Escrito por Beto Silveira às 10:20:57 ::
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23/05/2008
Eis aí o meu filho

Eis que tenho em mãos um filho. Não só meu, mas meu. Eis que tenho dado a luz. As  palavras tornam vivas as idéias e aí, no papel, na materalidade escrita, em suas formas, os sentidos se tornam racionicio e vice-versa.
Fico a pensar o que estão a dizer do meu livro, se bem ou mal, que seja comentado, discutido, citado, recomendado. Dá um frio na barriga, sim claro. Recusei, no primeiro momento, a tê-lo na minha mão e abri-lo, pronto, charmoso, quando a  Paula chegou om os exemplares da gráfica. Depois foi mais fácil, ainda que tímida a aproximação. Agora estou apaixonado. Eu e ele. Mais eu. Ele é frio, poderoso, cheio do que dizer. Ele é maior do que eu. A Criatura é maior que o criador.
No dia 14 de maio, ás 20h30, Eu e  Paula, anunciamos ao mundo o nosso filho. Numa solenidade simples, menos solene e mais simples, apresentamos Renato Russo e  cazuza: a poética da travessia. Bem aplaudido, ressoa, depois daquele lançamento no II Congresso de letras, Artes e Cultura da UFSJ, uma crítica positiva, tanto no que se refer ao contedúdo, quanto à forma. O conteúdo, me reservo a dizer, neste momento. Quanto à forma, belo trabalho de editoração da Paula, que passou meses, dias e horas, numa dedicação incanssável para que fosse possível tornar vivo e livro, o que eu havia escrito na minha dissertação de mestrado.
Nasce José Roberto Silveira como autor e nasce Paula Malta como editora. Juntos faremos da Malta Editores uma editora grande, reconhecida pela qualidade editorial de suas publicaçoes.
Nossa travessia, nosso aprendizado.

E como diria eu mesmo, na dedicatória do meu livro: "Aos sobreviventes de todas as travessias".



:: Escrito por Beto Silveira às 10:04:56 ::
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14/05/2008
L3

Meu terceiro filho nasceu: o livro tão esperado! O primeiro da editora. (Os outros dois: meu gato Laurent e o Luís).
O livro ficou pronto, depois de muito trabalho, muita dedicação e (na véspera) alguns pesadelos. Cheguei até a sonhar que nosso capista tinha mandado pra gráfica uma capa diferente da que nós tinhamos aprovado!
Na gráfica, quase tive uma síncope; meu coração não sossegou até eu colocar os olhos nele.
Voltei pra S. Joao tão feliz, tão eufórica (acompanhada de 300 exemplares) que até fui multada... não pelo excesso de felicidade e entusiasmo estampados no meu rosto e nem pelas belezuras empilhadas no porta-malas: foi mesmo excesso de velocidade.
Acomodei alguns deles nas estantes da Editora. Mal acredito quando passo por elas e os vejo: lombada sóbria, imponente, repetida em vários exemplares na mesma prateleira.
Good bless my third 'L'



:: Escrito por Paula às 10:50:51 ::
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11/05/2008
Travessia da editoração I I

Há dois dias do lançamento de Renato Russo e Cazuza: a poética da travessia, me consumo num sentimento que oscila entre a ansiedade, o desejo do trabalho realizado e a alegria de estar lançando um livro sobre estes dois importantes autores de letras de música e da história do Brasil. Uma história que se constrói com todo o teor de subjetividade e que toca as grandes esferas do social e do coletivo.

O livro ainda nao está na minha mão. Aguardo como quem está grávido. De mim para o mundo, é essa a sensação. Isso doí, como qualquer parto.



:: Escrito por Beto Silveira às 21:06:00 ::
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25/04/2008
Travessia da editoração I

Dias sem uma palavra aqui... 
A intensisade dos trabalhos finais do livro Renato Russo e Cazuza: a poética da travessia tem nos tirado do ar. Quase pronto!! Como é bom dizer isso. Ao memso tempo que dói por um filho no mundo. A escrita rasga a carne. Editorar também não é um dos serviços mais brandos. Pelo contrário, a responsabilidade e o desejo de um trabalho belo, um livro que beire  a perfeição ou que prime pela excelência permeiam a nossa vontade  de fazer bem feito, nesse livro de estréia.
Daqui a pouco o livro sai deste computador e vai para a gráfica e logo logo para as livrarias, e mãos dos leitores.

A escrita do livro foi prazerosa, a editoração e publicação também está sendo. Assim esperamos que a leitura também o seja.



:: Escrito por Betto Silveira às 10:01:47 ::
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25/03/2008
Estou grávido

Livros, livros, livros... aí você, sem perceber, se vê dominado por eles. Doa-se por inteiro, vicia, não sabe viver sem...
E quando está prestes a parir, quando emprenhado de uma idéia, e ela precisa vir a luz... o livro se aproxima, o prelo pula para a prateleiras das livrarias e para as mãos os leitores.
E o texto não é mais meu... um filho para o mundo... Sei, o peito aperta... dói, ma sé inevitável...



:: Escrito por Betto Silveira às 09:58:25 ::
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10/03/2008
O corriqueiro e a escrita I
Aqui  entre "bonecas", correções, frases e citações, me encontro... Além de participar no processo editorial, sou também o autor do livro. Duplamente, neste primeiro trabalho da Malta Editores, vai um pouco ou um tanto de mim, numa escrita que se faz palimpsestuosa para fazer acontecer a teia do texto... Aqui também se faz o roubo da escrita, ou ainda o roubo do corriqueiro, do dia-a-dia. Me enveredo no terceiro capítulo, aquele que fala da escrita roubada do rock. O rock da travessia, que embala, ainda hoje, muitos trajetos...


:: Escrito por Betto Silveira às 14:38:55 ::
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05/03/2008
A poesia que dá rock!!!

No forno ou no prelo, Renato Russo e Cazuza: a poética da travessia. Um livro cheio de poesia e que vai dá rock.


Um livro que deu muito prazer ao ser escrito, e lógico muito trabalho e muita pesquisa. O livro parte da minha dissertação de mestrado e  inaugura  a Malta Editores. Com toda modéstia, mas com muito orgulho vem a público os resultados da pesquisa  no Programa de Mestrado da Universidade Federal de São João del-Rei, sob orientação da profa. dra. Suely Quintana. Aproximando teoria  e criação poética, busquei uma leitura da obra de Cazuza e Renato Russo a partir do olhar de Jacques Derrida. As letras de rock, de conteúdo confessional e autobiográfico, revelam a culpa, a beleza, o social, o histórico e todo o lirismo dos anos 80. Ao transformar o tédio em melodia, Cazuza e Renato adotam a postura do poeta-fingidor de Fernado Pessoa e encenam todos os anseios dos viventes daquela década...

Bem, depois falo mais sobre o livro e seu processo de criação...

Enquanto isso, um trecho de uma poesia de Cazuza, que não foi musicada:

(...)
Lembre-s e de mim
Um vira-lata emocionado
Lembre-se de mim
Lembre-s ede mim
Lembre-se de nós e a nuvem alaranjada
Lembre de nosso amor
Com as decisões que tomamos juntos
Das nossa músicas malucas
E esse talento de tomar a cena de assalto
Pagamos o preço, por não sermos medíocres
E gargalhamos de tudo
Lembre-se disso quando for falar mal de mim
(...)



:: Escrito por Betto Silveira às 23:52:12 ::
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23/01/2008
Ás vezes rima,às vezes prosa, às vezes poesia, às vezes flor.

... escrever é enfiar um dedo na garganta. Depois, claro, você peneira essa gosma, amolda-a, transforma. Pode sair até uma flor. Mas o momento decisivo é o dedo na garganta. E eu acho — e posso estar enganado — que é isso que você não tá conseguindo fazer. Como é que é? Vai ficar com essa náusea seca a vida toda? E não fique esperando que alguém faça isso por você. Ocê sabe, na hora do porre brabo, não há nenhum dedo alheio disposto a entrar na garganta da gente.

Continuando a versar (sem rima e que sem poesia) sobre a carta de Caio Fernando Abreu, essa passagem que faço de epígrafe, ilustra como é solitário, doloroso e por fim, um alívio a escrita.
Quanta coisa em mim tem provocado náusea, aquela sensação de estômago ruim, com gosto amargo na garganta, feito fel querendo o mel e o doce... Escrever é vomitar sim, é deixar sobre o papel aquela gosma, que se amolda, que transforma. “Pode até sair uma flor. Mas o momento decisivo é o dedo na garganta”. Repito a citação porque Caio consegue nessas poucas palavras, sem intenção poética ou teórica, definir o processo de escrita. Quando é mais que preciso parir o texto, porque já não mais pode esperar e depois o trabalho de ourives (Não me refiro àquele de Olavo Bilac) para fazer com que os texto se aprimore, tome forma, cor, sabor e fruição.

E escrever é solitário. Como agora. Mesmo que eu esteja perto do turbilhão da rua, com o msn ligado, o telefone do lado, o email aberto, a televisão ligada, navegando em três sites ao mesmo tempo enquanto escrevo... a escrita será sempre solitária. O que não a torna dolorosa só por isso, até pelo contrário. Mas a solidão é necessária. Talvez um momento de encontro...  de travessia, melhor dizendo, entre aquilo que no nada confuso da mente vem para o papel (ou para a tela) sistematizada da escrita, ordenada num fluxo (in)consciente de palavras, conteúdo. Ás vezes rima,às vezes prosa, às vezes poesia, às vezes flor.


 



:: Escrito por Betto Silveira às 13:55:36 ::
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16/01/2008
Dores e prazeres da escrita

A escrita sobre a escrita sempre me fascinou. Um desejo pulsante que remete ao prazer do texto, passando pelas dores da escrita... O cesto cheio de papel amassado, a velha máquina-de-escrever, o cinzeiro cheio de tocos de cigarro...: mesmo sem essa imagem simbólica do escritor na sua solidão, hoje, na tela do computador, os ctrl c, ctrl x e ctrl v, o copiar, recortar, deletar e colar dos comandos do teclado. A escrita na ponta do dedo, nas letras encavaladas, na mesma solidão... talvez uma música tocando no media player ( Agora ouço cazuza: "Eu queria ter uma bomba"). A escrita dói, é um corte profundo na veia...
Relendo uma das Cartas de Caio Fernando Abreu - "Carta ao Zézim" : o prazer (sádico) da re-leitura sobre as dores da escrita. Escrevia  Caio (permita-me a intimidade) de como dói:

Essa perguntinha: você quer mesmo escrever? Isolando as cobranças, você continua querendo? Então vai, remexe fundo, como diz um poeta gaúcho, Gabriel de Britto Velho, "apaga o cigarro no peito / diz pra ti o que não gostas de ouvir / diz tudo". Isso é escrever. Tira sangue com as unhas. E não importa a forma, não importa a "função social", nem nada, não importa que, a princípio, seja apenas uma espécie de auto-exorcismo. Mas tem que sangrar a-bun-dan-te-men-te. Você não está com medo dessa entrega? Porque dói, dói, dói. É de uma solidão assustadora.

É! a escrita dói, mas dá prazer!!! Os dois se confundem no mesmo momento de entrega. E o texto releva-se todo prazer - Remetendo a Barthes, sem permissão.
Sugiro as delícias dessa carta na íntegra, publicada no livro organizado por Italo Moriconi - Cartas
Boa leitura: o prazer é todo nosso!!!



:: Escrito por Betto Silveira às 14:04:13 ::
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14/01/2008
Ano novo! Editora nova!

Retornado aos trabalhos, a Malta Editores atualizou sua sessão de poesia, contos e crônicas. Autores e leitores podem desfrutar do espaço de publicação e leitura disponivel no site da editora. Acompnhando os gráficos e números de acesso ao site, estamos satisfeitos com a quantidade de leitores que tem navegado pelo site, o que aponta a qualidade das publicações, e  também o interesse por leitura, livros, arte e cultura.
O lançamento de Renato Russo e Cazuza: a poética da travessia está previsto para março. O livro, no prelo, aborda a poética desses dois autores do rock brasileiro por um olhar que tange a subjetividade que encena os anseios do coletivo, a partir de uma escrita voltada para eu que tange o nós, o privado e o particular.
Em estudo pela comissão editorial também se encontram livros de literatura infanto-juvenil e alguns estudos acadêmicos.
Fôlego não nos falta, nem vontade, nem criatividade. Que o ano seja de muita escrita e leitura! Sivam-se a vontade!!

 



:: Escrito por Betto Silveira às 13:41:25 ::
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18/12/2007
Afonia

Não se houve por aí: ai que afonia! Não se pode dizer, se pudesse, eu diria. Melhor, diria: que saco de afonia!!

É engraçado como mudou meu ponto de vista sobre as pessoas e sobre mim mesma deste a manhã passada: faço conjecturas, analiso situações, penso muito antes de falar (com as mãos, corpo, expressões faciais, etc) Estive pensando: se pra bom entendedor, um pingo é letra, pra bom ouvidor um gesto é palavra, ou talvez oração. Penso no outro, na melhor maneira de fazê-lo me entender, adaptando minha mímica ao contexto do interlocutor. Como é que pode eu já ter me adaptado a essa tão nova realidade? Faço gestos, mexo a boca, estampo expressões e voilà: todos me entendem. Ainda assim, acho que sou outra, não consigo ser eu mesma: falar bobagem ou falar alto pra chamar a atenção.

Sem voz, sou outra, minha personalidade é outra: quando ando,dirijo, cozinho, ainda sou eu mesma, mas na hora de me comunicar, virei outra. Me comunico com muito mais atenção, mais cuidado, penso antes de 'falar', elaboro muito mais. As pessoas - ao contrário do que imaginei - têm muito mais paciência e muito mais interesse em me entender. Deve ser porque elas pensam que se eu tô fazendo um baita sacrifício de me fazer entender por gesto, é porque deve ser importante. As vezes, nem é importante, mas ninguém reclama do esforço que fez... Se não fossse pela falta da voz, eu diria que é ótimo estar afônica.

Voltando a minha personalidade: sou mesmo outra... como posso querer falar mais alto pra chamar atenção? E falar bobagem? Como é que se faz isso estando calada? Só de imaginar me dá arrepios: os gestos são obscenos, vulgares... Não dá pra fazer graça sem a fala. Chamar a atenção, só dançando ou fazendo malabarismo. Xingar no trânsito, só com plaquinha:
- Onde é que você comprou sua carteira? - Não sabe dar seta, não? Teria que providenciar as plaquinhas em casa e deixa-las a mão no banco do lado. Ninguém ia xingar de volta, iam achar que sou doida, ou tô fazendo graça, ou até mesmo, que sou surda, já que sou muda.

Hoje já tive o gosto de ter um representante: meu sócio-amigo-irmão que respondeu aos telefonemas, conversou com pessoas por mim e até traduziu alguns gestos pra atalhar o entendimento. Tive também o gosto da chacota: virei a mudinha, e a primeira coisa que me foi oferecida quando cheguei a casa dele foi um bloco e uma caneta. Ao telefone, temos um código: um assobio é sim, dois é não, se tenho que argumentar eu escrevo um bilhete (com letras cursivas, bem feitas e redondas) e meu filho, de 7 anos, lê.

No fim do dia, muito preocupado, meu filho me perguntou: - Mamãe, você não vai ficar assim pra sempre não, né?

Espero que não mesmo. Espero falar em breve e retomar minha personalidade que se esvaiu com minha voz.



:: Escrito por Paula às 04:09:12 ::
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12/12/2007
A espera de edições revistas e ampliadas

Hoje, quarta-feira, doze de dezembro: quase diário, meu registro, longe de pontual, deve acontecer. Pois bem, devo começar pela FELIT, o 1o. Festival de Literatura de São João del-Rei. Um Festival que se encaixou num espaço aconchegante, charmoso e convidativo, e assim se fez... Entre mesas redondas, mostras culturais, poetas, escritores, a Literatura no(s) seu(s) papel(éis) fez "bonito". Não vai sair de cena: intempestiva, ela aponta para o futuro, detém o passado e nos arremessa para o presente. Compõe a única forma onde o homem se vê por inteiro, na sua mediocridade ou no heroísmo, nos feitos ou nos seus desarranjos.  Meu outro, ela me faz ser eu: me reconheço, me constituo, me espelho, me renego. Um eu de alcance no outro, trava as relações entre povos, culturas, lugares, épocas. Trava a tensão entre eu e outro. E é assim, muito mais, porque é metáfora, por é hipérbole e zeugma, porque é Literatura.
Terminada a FELIT, ficam os contatos, as amizades, as afinidades literárias. Espera-se a próxima com um entusiasmo, com possibilidades de crescimento. Sempre assim: edições revistas e ampliadas. O público pede. Eu aguardo.
Vai aqui meu abraço para a Maria Ângela, a  curadora do festival, que incansável fez com o novo acontecesse.
Fica também a lembrança das figuras extraordinárias do Ferreira Gullar e do Chacal. Ressoam-se os poemas enquanto os sinos dobram...



:: Escrito por Betto Silveira às 12:05:59 ::
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09/12/2007
Luís na Felit

Teve o 1º FELIT no fim de semana. Foi muito bom em todos os sentidos possíveis, mas tenho que, antes de qualquer coisa, anotar logo - para não esquecer - uma graça do meu filho, Luís, que tem tudo a ver... Pra contextualizar, ele tem 7 anos e está na 1ª série.

Tinha uma feira de livros em um dos galpões da rotunda da estação de trem São João del-Rei. Quando chegamos lá, na tarde de sábado, fomos direto pra a feira e disse ao meu filho que ele poderia escolher um livro. Depois de muita dúvida, ele escolheu um autor que já é velho conhecido dele (e meu também): Léo Cunha, o livro se chama Profissonhos. Da feira de livros fui para uma mesa redonda e levei o Luís comigo. Lá, como o assunto não era de longe do interesse dele, aproveitou pra começar a ler seu novo livrinho. Quando a sessão acabou, fomos embora e no carro ele começou um assunto diferente, com um ar de preocupação:
- Mamãe, eu acho que eu não quero crescer. E eu logo perguntei porque e ele me respondeu naturalmente: - Eu vou ter que dirijir e eu não gosto... Depois continuou: - Eu nem sei o que vou ser quando crescer, não sei o que vou fazer, ainda não escolhi uma profissão, nem tenho certeza se vou mesmo querer ser arquiteto! (pausa) Eu estava pensando em ser pirata, mas,  nem um navio eu tenho! Se bem que piratas roubam, então eu também posso roubar um. Daí interferi: - Mas roubar não é legal, né?, e ele retrucou:
- Mamãe, o Jack Sparrow roubava e ele é do bem, também quero ser um pirata do bem!

Aí foi o ponto final da minha interferência, ele tinha toda razão: na cabeça dele ele pode roubar um navio sem ser ladrão, sem prejudicar o outro e navegar no mar de montanhas da região em que mora. Eu é que não gostaria que ele crescesse, ou melhor, que não perdesse a ingenuidade e a capacidade de sonhar que ele tem hoje.



:: Escrito por Paula às 21:09:32 ::
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04/12/2007
Oficina literária

Temos recebido, como já anunciado, várias mensagens que parabenizam nosso site. E mais que isso estamos tendo um retorno do que está sendo publicado, principalmnte nas sessões sobre contos, poesias e crônicas. Além de participar, nosso leitores-autores ou autores-leitores comentam cada uma das publicações, o que promove um constante debate, uma verdadeira oficina literária online.

Assim, a literatura torna-se viva, dinâmica e flui por redes e mentes.

Fica assim feito, mais uma vez, o convite.

Mais tarde comento aqui o conto breve e os arredores de "Detalhe", de Alberto Tibaji.



:: Escrito por Betto às 13:57:22 ::
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04/12/2007
Eu e meu amor...!?

...tive que levantar da cama: não me bastou a masturbação, mental que fosse... tive que documentar o momento. Ele?... ele se instaura em mim e a partir disso vivo o que quero viver com ele, como num sonho. Quando ele se torna real, nada em mim me condena e tudo em mim comemora. Nada me faz declarar, tudo me faz apaixonar. Ele não participa de nada, algo meu. Eu sofro e me regozijo nesse amor, como no poema de Chrétien de Troyes: De tout le maux, le mien diffère/ Il me plait, je me rejouis de lui. Assim, sento, escrevo e gozo, como deveria gozar uma mulher, mas sem a participação dele, sem que ele saiba da saudade, da vontade, do amor, da escrita, do vinho que foi bebido sem sua companhia e das roladas na cama sem conseguir dormir...



:: Escrito por Paula às 00:56:24 ::
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30/11/2007
O livro dos prazeres

Há duas semanas funcionando para o mundo, o site da Malta Edirores vem recebendo consideráveis elogios. O que nos deixa um tanto felizes e faz também com que nossas energias sejam canalizadas para um empreendimento bem feito, prazeroso e  de sucesso.

Em análise, alguns projetos editoriais, em breve, ganharão as prateleiras das livrarias e as bibliotecas de leitores de todo o Brasil. No site já se pode ler crônicas, poemas e contos inéditos. Bem como acompanhar, por este blog, o dia-a-dia da editora e de seus editores.

Usando a expressão costumeira com que chamo a Paula, é preciso ser um corisco  para fazer tudo isso funcionar. E no início tudo é mais dificil. Mas  está sendo uma aprendizagem, na verdade um livro do prazeres - recorrendo a Clarice Lispector para me expressar.

Hoje, no restaurante EntreAtos, ao lado do Teatro Municipal (acho tão bonito e cultural ter um teatro municipal!) nos reuniremos para lançar oficialmente (entre amigos) o site da Editora. É claro que dá um friozinho (bom) na barriga. Ontem eu apenas lia livros, hoje eu os produzo. Na distância entre leitor e editor, me realizo enquanto profissional e amante das letras.

Nesse caminho, contamos com gente de peso que realmente faz acontecer: seja os autores, colaboradores, professores da UFSJ, os amigos-amantes da literatura. E também, porque primordial nesse troço de traço, letra e risco, o leitor. Sem ele não existiria obra, nem editoras. Nem eu talvez não existisse. Sabe-se lá se sou um personagem de alguma história que algum autor esteja escrevendo?... Nessa, meu caro, que agora me lê, você também é personagem!!!

Cúmplices assim, entreguemo-nos ao parzer da leitura nossa de cada dia. e também da escrita das obras nossas para todo o sempre. Amém!

Teatro Municipal de São João del-Rei



:: Escrito por Betto Silveira às 11:56:08 ::
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28/11/2007
Cartas de amor por fingimento (por encomenda)

falava eu sobre as "deliberações do eu" e hoje me lembrei das minhas "Cartas de amor por encomenda", que eu escrevia quando adolescente. Dado à expressão dos sentimentos - num tom de exagero, metáfora e fingimento -, amigos recorriam a mim para salvar alguma paquera, namoro, ou tentar conquistar alguém - pelas palavras escritas.

Dado à solidariedade e ao romantismo, nunca neguei carta sequer. Bastava dizer em uma ou duas palavras a a intenção ou sentimento, e ia eu, longe do estéril turbilhão da rua, dedicar-me às letras para tão nobre ação. E nessa empreitada, ajudei muita gente. Sei que alguns até se casaram, outros um beijo foi muito.

Das cartas ficaram as cartas. Ficaram uma encadernação. Ali existiam cartas para tudo. Bastava sentir e pronto, eu já tinha sentido e escrito, bastava pôr selo e enviar. Aguardava o amor, esperando o carteiro na janela...

Eu tenho ainda as cartas de amor escritas por encomenda e nunca esqueci a lição destes versos de Pessoa (ele mesmo?):

 Autopsicografia
                                   
O poeta é um fingidor.
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente.

E os que lêem o que escreve,
Na dor lida sentem bem,
Não as duas que ele teve,
Mas só a que eles não têm.

E assim nas calhas de roda
Gira, a entreter a razão,
Esse comboio de corda
Que se chama coração.

 



:: Escrito por Betto Silveira às 12:12:33 ::
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23/11/2007
Blog de papel: a máquina de escrever e as poses do eu

"Nunca mantive um diário - ou antes, nunca soube se deveria manter um. Às vezes começo, e depois, muito depressa, largo - e, no entanto, mais tarde, recomeço. E uma vontade leviana, intermitente, sem seriedade e sem consistência doutrinal. Creio poder diagnosticar essa 'doença' do díário: uma dúvida insolúvel sobre o valor daquilo que se escreve". (Roland Barthes)

Não poderia eu, antes desse blog ir definitivamente ao ar e ganhar as redes wirelless, mencionar Roland Barthes e suas anotações sobre as "deliberações do eu". Blog de papel - pretendo eu, na junção do mundo virtual e da celulose, escrever, mencionar, refletir, citar, criticar, teorizar, ou simplesmente escrever, com ou sem pose do eu, sobre o dia-a-dia da nossa editora, nosso trabalho, descobertas, publicações, e também sobre aquilo que aprendemos, erramos e aprendemos.

Mas já dizia Pessoa que o poeta é um fingidor, e Barthes sobre as poses do eu ao escrever um diário. Que bom! Sem ficção, poses, imaginação, poesia, edição e publicação a vida seria muito sem graça. Sejam bem-vindos a escrita diária, ou quase diária. Prometo um livro dos dias. O título pensei pensando em Renato Russo. Como sei da sua poesia, espere, na minha pretensão, um blog de papel, que escrevo antes de digitar no computador, na minha velha máquina de escrever.



:: Escrito por Betto Silveira às 22:56:40 ::
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22/11/2007
From tomorrow: online forever

Hoje é o último (e segundo) dia que escrevo offline. Estar offline dá sensação de segurança, de poder usar 'corretivo' antes que leiam nossos erros ou intimidades... Mas o perigo, a novidade e a liberdade de estar online nos impele a acelerar o processo com o pessoal que está fazendo o site. Amanhã estaremos online; lindos, leves e soltos. Prontos pra viver este lado cibernético da vida cotidiana, também com nossa editora.



:: Escrito por Paula às 20:37:33 ::
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21/11/2007
O livro por vir

Na era do livro por vir, dedicar-se ao sonho de abrir uma editora e publicar livros pode parecer, no mínimo, desafiador, senão, ousadia ou ilusão. Mas o que sempre movimentou o mundo e fez com novos empreendimentos apontassem para o sucesso foi a ilusão (que se lê como esperança transformadora) e o desafio de superar situações adversárias e, principalmente, o desafio maior de superar a si mesmo. Assim, lançamo-nos ao desafio da publicação, do enveredamento pelo mercado editorial. E sonhamos, sim, com vários livros publicados, sucesso de crítica, de público e de venda. A era virtualizante em que vivemos, quando a literatura passa a dividir o espaço dos afazeres domésticos, porque agora está a nossa frente, a distância de uma tecla, quando lemos email, pesquisamos, ou simplesmente navegamos pela internet, faz com que a produção do livro impresso seja mais desafiadora ainda. Mas sem qualquer olhar nostálgico ou desanimador, a tecnologia e suas transformações são lidas como aliadas, facilitadoras da tarefa de transmissão do conhecimento pelo códice, quando as folhas superpostas, acolhedoras da palavra escrita, se abrem aos olhos e revelam outros mundos, universos, possibilidades e outro-eu. Convivem no mesmo espaço os meus e-books aos lados das minhas estantes de livros, convivem em mim um mesmo eu e um outro (desconheço ambos). Entre teclas, rascunhos, telas de LCD, encadernações de capa-dura, ali estão, a espera de nós leitores, o mundo ainda para ser lido. Ou melhor, escrito. Aqui estamos para publicar.,.



:: Escrito por Betto Silveira às 07:14:34 ::
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19/11/2007
Betto, bem-vindo ao blog

Tô apanhando, mais uma vez... administrar site não é tão fácil quanto se pensa nisso a primeira vez... Vai ficar fácil daqui a um mês, quando já tivermos apanhado muito, né, Betto? Mas tô adorando. Bolar os textos, aprender a administrar esse site, ser pessoa jurídica, ter amigo/irmão que é sócio, enfrentar dificuldades e conseguir superá-las... Isso tudo dá muito prazer. Que bom que a Malta Editores está se concretizando, a cada dia mais. Era vocação, sonho ou até vício, tínhamos que ser editores. Não ia dar pra fugir do óbvio (que é obvio hoje, mas não era antes).
Tenho que continuar a (tentar) entender como se faz tudo nesse site...

 

 



:: Escrito por Paula às 17:47:40 ::
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