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30/11/2007
O livro dos prazeres

Há duas semanas funcionando para o mundo, o site da Malta Edirores vem recebendo consideráveis elogios. O que nos deixa um tanto felizes e faz também com que nossas energias sejam canalizadas para um empreendimento bem feito, prazeroso e  de sucesso.

Em análise, alguns projetos editoriais, em breve, ganharão as prateleiras das livrarias e as bibliotecas de leitores de todo o Brasil. No site já se pode ler crônicas, poemas e contos inéditos. Bem como acompanhar, por este blog, o dia-a-dia da editora e de seus editores.

Usando a expressão costumeira com que chamo a Paula, é preciso ser um corisco  para fazer tudo isso funcionar. E no início tudo é mais dificil. Mas  está sendo uma aprendizagem, na verdade um livro do prazeres - recorrendo a Clarice Lispector para me expressar.

Hoje, no restaurante EntreAtos, ao lado do Teatro Municipal (acho tão bonito e cultural ter um teatro municipal!) nos reuniremos para lançar oficialmente (entre amigos) o site da Editora. É claro que dá um friozinho (bom) na barriga. Ontem eu apenas lia livros, hoje eu os produzo. Na distância entre leitor e editor, me realizo enquanto profissional e amante das letras.

Nesse caminho, contamos com gente de peso que realmente faz acontecer: seja os autores, colaboradores, professores da UFSJ, os amigos-amantes da literatura. E também, porque primordial nesse troço de traço, letra e risco, o leitor. Sem ele não existiria obra, nem editoras. Nem eu talvez não existisse. Sabe-se lá se sou um personagem de alguma história que algum autor esteja escrevendo?... Nessa, meu caro, que agora me lê, você também é personagem!!!

Cúmplices assim, entreguemo-nos ao parzer da leitura nossa de cada dia. e também da escrita das obras nossas para todo o sempre. Amém!

Teatro Municipal de São João del-Rei



:: Escrito por Betto Silveira às 11:56:08 ::
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28/11/2007
Cartas de amor por fingimento (por encomenda)

falava eu sobre as "deliberações do eu" e hoje me lembrei das minhas "Cartas de amor por encomenda", que eu escrevia quando adolescente. Dado à expressão dos sentimentos - num tom de exagero, metáfora e fingimento -, amigos recorriam a mim para salvar alguma paquera, namoro, ou tentar conquistar alguém - pelas palavras escritas.

Dado à solidariedade e ao romantismo, nunca neguei carta sequer. Bastava dizer em uma ou duas palavras a a intenção ou sentimento, e ia eu, longe do estéril turbilhão da rua, dedicar-me às letras para tão nobre ação. E nessa empreitada, ajudei muita gente. Sei que alguns até se casaram, outros um beijo foi muito.

Das cartas ficaram as cartas. Ficaram uma encadernação. Ali existiam cartas para tudo. Bastava sentir e pronto, eu já tinha sentido e escrito, bastava pôr selo e enviar. Aguardava o amor, esperando o carteiro na janela...

Eu tenho ainda as cartas de amor escritas por encomenda e nunca esqueci a lição destes versos de Pessoa (ele mesmo?):

 Autopsicografia
                                   
O poeta é um fingidor.
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente.

E os que lêem o que escreve,
Na dor lida sentem bem,
Não as duas que ele teve,
Mas só a que eles não têm.

E assim nas calhas de roda
Gira, a entreter a razão,
Esse comboio de corda
Que se chama coração.

 



:: Escrito por Betto Silveira às 12:12:33 ::
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23/11/2007
Blog de papel: a máquina de escrever e as poses do eu

"Nunca mantive um diário - ou antes, nunca soube se deveria manter um. Às vezes começo, e depois, muito depressa, largo - e, no entanto, mais tarde, recomeço. E uma vontade leviana, intermitente, sem seriedade e sem consistência doutrinal. Creio poder diagnosticar essa 'doença' do díário: uma dúvida insolúvel sobre o valor daquilo que se escreve". (Roland Barthes)

Não poderia eu, antes desse blog ir definitivamente ao ar e ganhar as redes wirelless, mencionar Roland Barthes e suas anotações sobre as "deliberações do eu". Blog de papel - pretendo eu, na junção do mundo virtual e da celulose, escrever, mencionar, refletir, citar, criticar, teorizar, ou simplesmente escrever, com ou sem pose do eu, sobre o dia-a-dia da nossa editora, nosso trabalho, descobertas, publicações, e também sobre aquilo que aprendemos, erramos e aprendemos.

Mas já dizia Pessoa que o poeta é um fingidor, e Barthes sobre as poses do eu ao escrever um diário. Que bom! Sem ficção, poses, imaginação, poesia, edição e publicação a vida seria muito sem graça. Sejam bem-vindos a escrita diária, ou quase diária. Prometo um livro dos dias. O título pensei pensando em Renato Russo. Como sei da sua poesia, espere, na minha pretensão, um blog de papel, que escrevo antes de digitar no computador, na minha velha máquina de escrever.



:: Escrito por Betto Silveira às 22:56:40 ::
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22/11/2007
From tomorrow: online forever

Hoje é o último (e segundo) dia que escrevo offline. Estar offline dá sensação de segurança, de poder usar 'corretivo' antes que leiam nossos erros ou intimidades... Mas o perigo, a novidade e a liberdade de estar online nos impele a acelerar o processo com o pessoal que está fazendo o site. Amanhã estaremos online; lindos, leves e soltos. Prontos pra viver este lado cibernético da vida cotidiana, também com nossa editora.



:: Escrito por Paula às 20:37:33 ::
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21/11/2007
O livro por vir

Na era do livro por vir, dedicar-se ao sonho de abrir uma editora e publicar livros pode parecer, no mínimo, desafiador, senão, ousadia ou ilusão. Mas o que sempre movimentou o mundo e fez com novos empreendimentos apontassem para o sucesso foi a ilusão (que se lê como esperança transformadora) e o desafio de superar situações adversárias e, principalmente, o desafio maior de superar a si mesmo. Assim, lançamo-nos ao desafio da publicação, do enveredamento pelo mercado editorial. E sonhamos, sim, com vários livros publicados, sucesso de crítica, de público e de venda. A era virtualizante em que vivemos, quando a literatura passa a dividir o espaço dos afazeres domésticos, porque agora está a nossa frente, a distância de uma tecla, quando lemos email, pesquisamos, ou simplesmente navegamos pela internet, faz com que a produção do livro impresso seja mais desafiadora ainda. Mas sem qualquer olhar nostálgico ou desanimador, a tecnologia e suas transformações são lidas como aliadas, facilitadoras da tarefa de transmissão do conhecimento pelo códice, quando as folhas superpostas, acolhedoras da palavra escrita, se abrem aos olhos e revelam outros mundos, universos, possibilidades e outro-eu. Convivem no mesmo espaço os meus e-books aos lados das minhas estantes de livros, convivem em mim um mesmo eu e um outro (desconheço ambos). Entre teclas, rascunhos, telas de LCD, encadernações de capa-dura, ali estão, a espera de nós leitores, o mundo ainda para ser lido. Ou melhor, escrito. Aqui estamos para publicar.,.



:: Escrito por Betto Silveira às 07:14:34 ::
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19/11/2007
Betto, bem-vindo ao blog

Tô apanhando, mais uma vez... administrar site não é tão fácil quanto se pensa nisso a primeira vez... Vai ficar fácil daqui a um mês, quando já tivermos apanhado muito, né, Betto? Mas tô adorando. Bolar os textos, aprender a administrar esse site, ser pessoa jurídica, ter amigo/irmão que é sócio, enfrentar dificuldades e conseguir superá-las... Isso tudo dá muito prazer. Que bom que a Malta Editores está se concretizando, a cada dia mais. Era vocação, sonho ou até vício, tínhamos que ser editores. Não ia dar pra fugir do óbvio (que é obvio hoje, mas não era antes).
Tenho que continuar a (tentar) entender como se faz tudo nesse site...

 

 



:: Escrito por Paula às 17:47:40 ::
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