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23/01/2008
Ás vezes rima,às vezes prosa, às vezes poesia, às vezes flor.

... escrever é enfiar um dedo na garganta. Depois, claro, você peneira essa gosma, amolda-a, transforma. Pode sair até uma flor. Mas o momento decisivo é o dedo na garganta. E eu acho — e posso estar enganado — que é isso que você não tá conseguindo fazer. Como é que é? Vai ficar com essa náusea seca a vida toda? E não fique esperando que alguém faça isso por você. Ocê sabe, na hora do porre brabo, não há nenhum dedo alheio disposto a entrar na garganta da gente.

Continuando a versar (sem rima e que sem poesia) sobre a carta de Caio Fernando Abreu, essa passagem que faço de epígrafe, ilustra como é solitário, doloroso e por fim, um alívio a escrita.
Quanta coisa em mim tem provocado náusea, aquela sensação de estômago ruim, com gosto amargo na garganta, feito fel querendo o mel e o doce... Escrever é vomitar sim, é deixar sobre o papel aquela gosma, que se amolda, que transforma. “Pode até sair uma flor. Mas o momento decisivo é o dedo na garganta”. Repito a citação porque Caio consegue nessas poucas palavras, sem intenção poética ou teórica, definir o processo de escrita. Quando é mais que preciso parir o texto, porque já não mais pode esperar e depois o trabalho de ourives (Não me refiro àquele de Olavo Bilac) para fazer com que os texto se aprimore, tome forma, cor, sabor e fruição.

E escrever é solitário. Como agora. Mesmo que eu esteja perto do turbilhão da rua, com o msn ligado, o telefone do lado, o email aberto, a televisão ligada, navegando em três sites ao mesmo tempo enquanto escrevo... a escrita será sempre solitária. O que não a torna dolorosa só por isso, até pelo contrário. Mas a solidão é necessária. Talvez um momento de encontro...  de travessia, melhor dizendo, entre aquilo que no nada confuso da mente vem para o papel (ou para a tela) sistematizada da escrita, ordenada num fluxo (in)consciente de palavras, conteúdo. Ás vezes rima,às vezes prosa, às vezes poesia, às vezes flor.


 



:: Escrito por Betto Silveira às 13:55:36 ::
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16/01/2008
Dores e prazeres da escrita

A escrita sobre a escrita sempre me fascinou. Um desejo pulsante que remete ao prazer do texto, passando pelas dores da escrita... O cesto cheio de papel amassado, a velha máquina-de-escrever, o cinzeiro cheio de tocos de cigarro...: mesmo sem essa imagem simbólica do escritor na sua solidão, hoje, na tela do computador, os ctrl c, ctrl x e ctrl v, o copiar, recortar, deletar e colar dos comandos do teclado. A escrita na ponta do dedo, nas letras encavaladas, na mesma solidão... talvez uma música tocando no media player ( Agora ouço cazuza: "Eu queria ter uma bomba"). A escrita dói, é um corte profundo na veia...
Relendo uma das Cartas de Caio Fernando Abreu - "Carta ao Zézim" : o prazer (sádico) da re-leitura sobre as dores da escrita. Escrevia  Caio (permita-me a intimidade) de como dói:

Essa perguntinha: você quer mesmo escrever? Isolando as cobranças, você continua querendo? Então vai, remexe fundo, como diz um poeta gaúcho, Gabriel de Britto Velho, "apaga o cigarro no peito / diz pra ti o que não gostas de ouvir / diz tudo". Isso é escrever. Tira sangue com as unhas. E não importa a forma, não importa a "função social", nem nada, não importa que, a princípio, seja apenas uma espécie de auto-exorcismo. Mas tem que sangrar a-bun-dan-te-men-te. Você não está com medo dessa entrega? Porque dói, dói, dói. É de uma solidão assustadora.

É! a escrita dói, mas dá prazer!!! Os dois se confundem no mesmo momento de entrega. E o texto releva-se todo prazer - Remetendo a Barthes, sem permissão.
Sugiro as delícias dessa carta na íntegra, publicada no livro organizado por Italo Moriconi - Cartas
Boa leitura: o prazer é todo nosso!!!



:: Escrito por Betto Silveira às 14:04:13 ::
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14/01/2008
Ano novo! Editora nova!

Retornado aos trabalhos, a Malta Editores atualizou sua sessão de poesia, contos e crônicas. Autores e leitores podem desfrutar do espaço de publicação e leitura disponivel no site da editora. Acompnhando os gráficos e números de acesso ao site, estamos satisfeitos com a quantidade de leitores que tem navegado pelo site, o que aponta a qualidade das publicações, e  também o interesse por leitura, livros, arte e cultura.
O lançamento de Renato Russo e Cazuza: a poética da travessia está previsto para março. O livro, no prelo, aborda a poética desses dois autores do rock brasileiro por um olhar que tange a subjetividade que encena os anseios do coletivo, a partir de uma escrita voltada para eu que tange o nós, o privado e o particular.
Em estudo pela comissão editorial também se encontram livros de literatura infanto-juvenil e alguns estudos acadêmicos.
Fôlego não nos falta, nem vontade, nem criatividade. Que o ano seja de muita escrita e leitura! Sivam-se a vontade!!

 



:: Escrito por Betto Silveira às 13:41:25 ::
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